Gigante (conto)

Formou-se em Turismo na pequena cidade natal sem saber exatamente porque tinha escolhido esse caminho, só com a certeza que aquele lugar era pequeno demais para seus sonhos.

Decidiu ir para São Paulo, e já desceu do ônibus entendendo que os sonhos todos cabiam numa mala enquanto aquela cidade, gigante, onde acaba?

Então saiu à procura de emprego, currículo de meia página na mão e andou sem saber voltar.  Todo mundo parece saber exatamente onde vai, onde vão?

Voltou a andar, no dia seguinte e no outro, de Hotel em Hotel, todas as agências de viagens, companhias aéreas, motéis (porque não?)

“Não!”

“Tem experiência?”

“Quem te indicou?”

Na semana seguinte, ainda não reconhecia ruas, ainda passava duas vezes pelo mesmo bar da esquina, ainda errava a estação de metrô, ainda não, não e não.

“O aluguel vai pagar quando?” cobrou de novo a dona da pensão.

No dia seguinte, passando pelo Anhangabaú, acendeu o cigarro de um dos homens-placa-sanduíche que entre vários outros anunciava a compra de Ouro.

“Onde consigo uma destas pra mim?”

Cinco horas depois já era um deles, letras vermelhas dizendo:  “Guia Turístico:  Perca-se comigo em São Paulo”

Encontrou-se.

16/08/2018

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