O monstro de rosto familiar, de feições bonitas e olhos doces é o inimigo a temer.
Ele engana porque é doutor na Arte das palavras e poderia-se jurar que é cheio de boas intenções. Mas a palavra que ele usa pra seduzir é a mesma espada afiada que ele, o samurai de preto, finca com golpe certeiro em algum ponto nevrálgico da alma de suas presas.
Tem prazer na confusão que provoca. Não quer se entendido, quer ser notado. Não quer explicar, sentir , ouvir nada.
Ele tem pressa , porque há tanto “Eu” nele que precisa ser satisfeito.
E mesmo assim, sai sempre à caça, predador que é, travestido em anjo, ao encontro daquelas que se apaixonarão pela mentira que ele vende banhada em ouro . E voltarão para suas casas enfeitiçadas, atordoadas e excitadas com a possibilidade de decifrar o enigma que ele propõe, sem saber que decifrando ou não, elas serão devoradas. E depois cuspidas. Sim, porque ele quer muito devorar mas não quer restos, não há espaço, então há que cuspi-los.
E ele segue deixando as carcaças pelo caminho, sangue escorrendo dos caninos.
17/06/2017